Entendendo o mundo
2009
“Laura, existem dois tipos de pessoas no mundo: as que pagam juros e as que recebem juros.”
Esta frase caiu com um peso enorme nos meus planos. Fez simplesmente todo o sentido do mundo e eu finalmente entendi o que eu iria precisar.
Claro que depois disso eu não comprei o carro. Eu não tinha o valor inteiro do carro para comprar à vista. Eu não iria entrar em um financiamento. Iria juntar dinheiro e comprar à vista. Isso aconteceu uns três meses antes do dia da decisão, do dia que mudou minha vida.
As coisas não saíram exatamente como o planejado, e por uma necessidade de segurança, acabamos trocando o carro, um ano depois, antes de ter o total. Recebemos ajuda dos meus sogros e conseguimos trocar de carro sem grandes dívidas com o banco. Nada de luxo, um carro para duas pessoas, um veículo que cumprisse com a tarefa de nos deslocar para o trabalho, a alavanca do nosso sucesso.
Nessa época ainda morávamos na casa da minha avó e de lá qualquer coisa é longe e não havia muitas opções de ônibus. O transporte público na minha cidade só funciona de uma forma relativamente decente perto do centro. Quem mora longe geralmente sofre muito. Gastamos litros em gasolina para que pudéssemos manter nossos trabalhos. Isso foi em 2007.
Em 2007 passamos um ano de batalha. Seguindo conselhos de amigos e de autores famosos, tudo o que entrava era destinado a um investimento. Escolhemos investir na bolsa de valores e tudo ia muito bem.
Em 2007 nosso carro foi arrombado 4 vezes. QUATRO vezes! E se uma dessas vezes a gente estivesse perto, ou dentro do carro? Estas histórias começaram a aumentar e hoje em dia quem não foi assaltado ou teve pertences furtados ou carros e imóveis arrobados é que é a exceção. Começamos a nos preocupar ainda mais com a nossa segurança. E quando tivéssemos nossos filhos? Se hoje já é ruim e perigoso, imagina daqui a vinte anos?
Foi com este pensamento, nada romântico, que decidimos nos casar. Percebemos a necessidade da oficialização da nossa união para fins de segurança. Já vivíamos como casados, mas faríamos um casamento oficial para juntar as trouxinhas e dar o fora daqui. Escolhemos o Canadá como o lugar da nossa nova casa. E traçamos um plano, um longo plano.
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